Já faz tempo que não escrevo — na verdade, desde 2014. O tempo passou e eu nem percebi; até achei que a data estivesse errada. Tantas coisas aconteceram, mas acabaram se perdendo, e eu não consegui colocar no papel. Ainda tenho muito a escrever sobre o Ketxon — ou melhor, decifrar! — pois ele continua sendo um mistério para mim, não sei quem ele é de verdade. Sem falar em outras viagens que fiz por aí (rs). Mas hoje vou falar das últimas projeções.
Minhas últimas projeções têm sido muito parecidas: sempre entro pelo mar e, através dele, acesso outra dimensão. Lá, sou levada a ajudar pessoas. Elas geralmente estão em um estado “péssimo”: machucadas, debilitadas, algumas em conjunto, outras sozinhas, deitadas em camas.
O lugar também é sempre o mesmo: um hospital antigo, com móveis velhos e corredores enormes, cheios de portas. Tenho até certa intimidade no local — vou direto para a mesma salinha, falo com uma pessoa e sou levada aos quartos.
Só que, desta vez, foi diferente. O lugar parecia outro: não era mais aquele hospital antigo, mas sim um hospital público dos mais abandonados. Passei pelo corredor abrindo muitas portas; a maioria dos leitos estava vazia. Eram tantas portas, e eu procurava algo que não sabia o que era.
Depois de muito abrir, entrei em um quarto e vi minha avó — já falecida — e, ao lado dela, minha mãe e minha tia. Minha avó estava debilitada, nua e muito doente. Levantei minhas mãos, e delas saíram raios coloridos que cobriram o corpo dela como um manto. Saí daquela sala e continuei abrindo portas.
Conheci Aldo, um homem sobre o leito que não consegui ajudar. Quando impus minhas mãos, percebi que minha energia já havia se esgotado. Prometi que voltaria. Continuei abrindo portas e encontrei meu avô Antônio, também já falecido. Eu o abracei, chorei e, pela conversa que tivemos, percebi que seu juízo não estava em perfeitas condições. Fui embora, e ao passar pelo corredor vi uma rosa branca dentro de um vidro, como a rosa do Pequeno Príncipe (rs). Minha mãe apareceu ao meu lado e disse:
— Aqui é a Ascensão da Rosa Branca. As pessoas que estão aqui não evoluem.
(Não faço ideia do que isso significa.)
Continuei minha busca, mas dessa vez procurava por meu padrinho, que havia falecido há apenas uma semana. Procurava desesperadamente. Vi pessoas jogadas no chão, como se não houvesse vagas nos leitos — embora tivesse visto vários quartos vazios. Não consigo entender, tudo é muito confuso para mim.
Perguntei pelo meu padrinho, e um homem me disse que tinha chegado “um aí” e pediu que eu fosse olhar. Depois de muita procura, encontrei-o deitado no chão, dormindo embaixo de uma mesa.
Chorei tanto! Ele estava tão magro… eu o abracei, e ele me perguntou como consegui chegar até lá. Respondi que tinha ido sozinha e que queria ajudá-lo. Mas, nesse momento, acordei. Na projeção, qualquer barulho é suficiente para nos puxar de volta, e assim foi. Espero conseguir voltar logo para ajudá-lo.
Acordei com as mãos dormentes e assim continuam até agora. Já são 10h03 do dia 06/03/2017 e elas não param de formigar.

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