Diário Astral

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domingo, 20 de agosto de 2017

Ketxon

Faz uns cinco meses desde minha última publicação. Minhas projeções andam escassas, sem nada muito significativo para contar. Mas, na noite passada, aconteceu algo diferente: tive um pequeno diálogo com o Ketxon, meu mentor. Já fazia bastante tempo que não falávamos, e logo percebi que ele estava diferente.

Quando o conheci, Ketxon era nervoso, impaciente e debochado — daqueles que parecem não ter tempo pra nada. Ontem, no entanto, me surpreendeu: estava mais calmo, paciente, e conseguiu manter um diálogo sem deixar as coisas no ar.

Não o vi, mas conversamos por pensamento durante minha projeção. O diálogo foi assim:

T – Ketxon, você está aí?
K – Sim, estou.
T – Não consigo te ver e mal consigo te ouvir.
K – Estranho… era para você me ouvir e me ver.
T – Estou conseguindo ouvir pouco.

Ele então comentou que eu tenho tido pouca fé nas coisas e disse algo sobre maturidade… mas confesso que não lembro bem da explicação.

Conversar com um mentor é como falar através de um rádio antigo: cheio de chiados, difícil de manter a mesma frequência. Eu sei que boa parte disso é responsabilidade minha — afinal, estar na mesma sintonia depende de preparo e disciplina, coisas que ando deixando de lado. Sou relapsa: estudo pouco sobre o assunto e não faço nenhum preparo antes das projeções.

Ainda assim, Ketxon terminou nossa conversa com bom humor. Fez uma piada “interna”, dizendo que, se eu quisesse acreditar mais, ele poderia me deixar ver os Beatles. Isso porque a decoração da minha casa é cheia de itens deles. A fã, na verdade, é meu marido, mas como fui eu quem comprou tantas coisas, até parece que sou eu quem gosta.

Percebi que o deboche continua o mesmo, mas agora ele está mais ponderado. Brinquei comigo mesma pensando que deve ter passado por algum “treinamento de boas maneiras”.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Visita ao Hospital





Já faz tempo que não escrevo — na verdade, desde 2014. O tempo passou e eu nem percebi; até achei que a data estivesse errada. Tantas coisas aconteceram, mas acabaram se perdendo, e eu não consegui colocar no papel. Ainda tenho muito a escrever sobre o Ketxon — ou melhor, decifrar! — pois ele continua sendo um mistério para mim, não sei quem ele é de verdade. Sem falar em outras viagens que fiz por aí (rs). Mas hoje vou falar das últimas projeções.

Minhas últimas projeções têm sido muito parecidas: sempre entro pelo mar e, através dele, acesso outra dimensão. Lá, sou levada a ajudar pessoas. Elas geralmente estão em um estado “péssimo”: machucadas, debilitadas, algumas em conjunto, outras sozinhas, deitadas em camas.

O lugar também é sempre o mesmo: um hospital antigo, com móveis velhos e corredores enormes, cheios de portas. Tenho até certa intimidade no local — vou direto para a mesma salinha, falo com uma pessoa e sou levada aos quartos.

Só que, desta vez, foi diferente. O lugar parecia outro: não era mais aquele hospital antigo, mas sim um hospital público dos mais abandonados. Passei pelo corredor abrindo muitas portas; a maioria dos leitos estava vazia. Eram tantas portas, e eu procurava algo que não sabia o que era.

Depois de muito abrir, entrei em um quarto e vi minha avó — já falecida — e, ao lado dela, minha mãe e minha tia. Minha avó estava debilitada, nua e muito doente. Levantei minhas mãos, e delas saíram raios coloridos que cobriram o corpo dela como um manto. Saí daquela sala e continuei abrindo portas.

Conheci Aldo, um homem sobre o leito que não consegui ajudar. Quando impus minhas mãos, percebi que minha energia já havia se esgotado. Prometi que voltaria. Continuei abrindo portas e encontrei meu avô Antônio, também já falecido. Eu o abracei, chorei e, pela conversa que tivemos, percebi que seu juízo não estava em perfeitas condições. Fui embora, e ao passar pelo corredor vi uma rosa branca dentro de um vidro, como a rosa do Pequeno Príncipe (rs). Minha mãe apareceu ao meu lado e disse:
— Aqui é a Ascensão da Rosa Branca. As pessoas que estão aqui não evoluem.

(Não faço ideia do que isso significa.)

Continuei minha busca, mas dessa vez procurava por meu padrinho, que havia falecido há apenas uma semana. Procurava desesperadamente. Vi pessoas jogadas no chão, como se não houvesse vagas nos leitos — embora tivesse visto vários quartos vazios. Não consigo entender, tudo é muito confuso para mim.

Perguntei pelo meu padrinho, e um homem me disse que tinha chegado “um aí” e pediu que eu fosse olhar. Depois de muita procura, encontrei-o deitado no chão, dormindo embaixo de uma mesa.

Chorei tanto! Ele estava tão magro… eu o abracei, e ele me perguntou como consegui chegar até lá. Respondi que tinha ido sozinha e que queria ajudá-lo. Mas, nesse momento, acordei. Na projeção, qualquer barulho é suficiente para nos puxar de volta, e assim foi. Espero conseguir voltar logo para ajudá-lo.

Acordei com as mãos dormentes e assim continuam até agora. Já são 10h03 do dia 06/03/2017 e elas não param de formigar.