Faz uns cinco meses desde minha última publicação. Minhas projeções andam escassas, sem nada muito significativo para contar. Mas, na noite passada, aconteceu algo diferente: tive um pequeno diálogo com o Ketxon, meu mentor. Já fazia bastante tempo que não falávamos, e logo percebi que ele estava diferente.
Quando o conheci, Ketxon era nervoso, impaciente e debochado — daqueles que parecem não ter tempo pra nada. Ontem, no entanto, me surpreendeu: estava mais calmo, paciente, e conseguiu manter um diálogo sem deixar as coisas no ar.
Não o vi, mas conversamos por pensamento durante minha projeção. O diálogo foi assim:
T – Ketxon, você está aí?
K – Sim, estou.
T – Não consigo te ver e mal consigo te ouvir.
K – Estranho… era para você me ouvir e me ver.
T – Estou conseguindo ouvir pouco.
Ele então comentou que eu tenho tido pouca fé nas coisas e disse algo sobre maturidade… mas confesso que não lembro bem da explicação.
Conversar com um mentor é como falar através de um rádio antigo: cheio de chiados, difícil de manter a mesma frequência. Eu sei que boa parte disso é responsabilidade minha — afinal, estar na mesma sintonia depende de preparo e disciplina, coisas que ando deixando de lado. Sou relapsa: estudo pouco sobre o assunto e não faço nenhum preparo antes das projeções.
Ainda assim, Ketxon terminou nossa conversa com bom humor. Fez uma piada “interna”, dizendo que, se eu quisesse acreditar mais, ele poderia me deixar ver os Beatles. Isso porque a decoração da minha casa é cheia de itens deles. A fã, na verdade, é meu marido, mas como fui eu quem comprou tantas coisas, até parece que sou eu quem gosta.
Percebi que o deboche continua o mesmo, mas agora ele está mais ponderado. Brinquei comigo mesma pensando que deve ter passado por algum “treinamento de boas maneiras”.
